Anorexia e bulimia

Anorexia and bulimia

Below is a Brazilian Portuguese translation of our information resource on anorexia and bulimia. You can also view our other Brazilian Portuguese translations.

Aviso de Isenção de Responsabilidades

Antes de ler isto, consulte nosso aviso legal.

Esperamos que esta informação seja útil se:

  • você está constantemente pensando no seu peso e imagem corporal
  • você sente que sua alimentação ou dieta pode ser um problema
  • você se pega obsessivamente usando outras maneiras de perder peso, como fazer exercícios excessivos ou adoecer a si mesmo
  • você acha que pode ter anorexia ou bulimia
  • outras pessoas estão preocupadas por você ter perdido muito peso
  • você tem um amigo, parente, filho ou filha que está passando por esse tipo de problema.

Não se trata de problemas de excesso de peso.

Introdução

Todos nós temos hábitos alimentares diferentes. Há um grande número de “estilos alimentares” que nos fazem ser saudáveis. No entanto, alguns estilos são movidos por um medo intenso de engordar e que na verdade prejudicam a saúde. São os chamados “transtornos alimentares” e envolvem:

  • comer demasiado
  • comer muito pouco
  • usar formas prejudiciais para se livrar das calorias.

De fato, os “distúrbios alimentares” geralmente envolvem muito mais do que o comportamento alimentar, de modo que as pessoas afetadas por eles estão constantemente preocupadas em como evitar a ingestão de calorias, como “queimar” ou como se livrar delas. Também verificam o peso e a aparência o tempo todo, evitam se ver no espelho ou em fotos para se certificarem de que o peso não aumentou.

Este material trata de dois transtornos alimentares: Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa. Ele descreve os dois distúrbios separadamente, no entanto,

  • os sintomas de anorexia e bulimia frequentemente se mesclam
  • As pessoas também podem passar da bulimia para a anorexia ou se pode começar com sintomas anoréxicos e, depois, desenvolver os sintomas da bulimia.

Quem tem transtornos alimentares?

As meninas e as mulheres têm 10 vezes mais probabilidade do que os rapazes e os homens de sofrer de anorexia ou bulimia.

No entanto, os transtornos alimentares parecem estar se tornando mais comuns em meninos e homens. Eles são mais propensos a desenvolver o transtorno em associação com exercícios físicos excessivos e a querer ser mais musculosos em vez de magros.

Anorexia Nervosa

Quais são os sinais?

Você constata que:

  • se preocupa cada vez mais com seu peso
  • come cada vez menos (conta as calorias)
  • se exercita cada vez mais, para queimar calorias
  • não consegue parar de querer perder peso, mesmo quando está bem abaixo do peso seguro para sua idade e altura
  • fuma mais ou masca chiclete para manter seu peso baixo
  • verifica obsessivamente seu peso, forma ou reflexo nos espelhos
  • se afasta de interações sociais que envolvem comida
  • usa roupas largas para esconder o corpo
  • bebe bastante água antes de se pesar
  • exclui certos grupos de alimentos e vê certos alimentos como "bons" e "ruins"
  • evita as refeições, especialmente na escola
  • perdeu o interesse em sexo
    • Em meninas ou mulheres, os períodos menstruais tornam-se irregulares ou param.
    • Em homens ou meninos, as ereções e os sonhos molhados param, os testículos encolhem.

Algumas pessoas percebem que desenvolveram outras dificuldades obsessivas, como precisar seguir rotinas e horários rígidos ou têm medo de "contaminação", necessidade de estudar ou trabalhar o tempo todo ou dificuldade em gastar dinheiro de maneira adequada.

Quando começa?

Agora, sabemos que pessoas de qualquer idade podem ter anorexia, mas geralmente ela começa na adolescência. Afeta cerca de:

  • 1 menina de 15 anos em cada 150
  • 1 menino de 15 anos em cada 1.000.

O que acontece?

  • A pessoa ingere muito poucas calorias todos os dias. Ela come “saudavelmente” frutas, vegetais e saladas, mas esses alimentos não fornecem energia suficiente ao corpo.
  • Ela também pode fazer exercícios, usar pílulas de emagrecimento ou fumar mais para manter o peso baixo.
  • Ela não quer se permitir comer, mas compra comida e cozinha para outras pessoas.
  • Continua sentido muita fome, como sempre. Na verdade, ela descobre que não consegue parar de pensar em comida.
  • Fica com mais medo de engordar e sente mais determinação para manter o peso muito abaixo do normal.
  • A família pode ser a primeira a notar a magreza e a perda de peso.
  • Talvez ela não consiga contar a outras pessoas a verdadeira quantidade que está comendo e quanto peso está perdendo.
  • Também pode ficar doente se comer algo que achava que não podia, principalmente se perder o controle da alimentação e começar a comer compulsivamente. No entanto, isso é conhecido como "anorexia, subtipo de compulsão-purgação" e não "bulimia nervosa". Quem sofre de bulimia nervosa está, por definição, na faixa de peso normal.

Bulimia Nervosa

Quais são os sinais?

Você constata que:

  • se preocupa cada vez mais com seu peso
  • tem compulsão alimentar (veja abaixo)
  • provoca vômitos e/ou usa laxantes ou outras formas para se livrar das calorias
  • os períodos menstruais são irregulares
  • sente cansaço
  • sente culpa
  • mantém peso normal apesar de fazer dieta.

Quando começa?

A Bulimia Nervosa geralmente começa na adolescência. No entanto, as pessoas podem permanecer doentes durante vários anos antes de conseguirem pedir ajuda. Na maioria das vezes, as pessoas procuram ajuda quando a vida muda. Pode ser o início de um novo relacionamento ou a necessidade de conviver com outras pessoas pela primeira vez.

Cerca de 4 em cada 100 mulheres sofrem de bulimia em algum momento da vida. Nos homens, o número é bem menor.

Compulsão alimentar

  • A pessoa assalta a geladeira ou sai e compra muitos alimentos gordurosos que normalmente evitaria.
  • Depois, come tudo rapidamente, geralmente escondido.
  • Pode consumir pacotes de biscoitos, várias caixas de chocolates e muitos bolos em apenas algumas horas.
  • Pode até pegar a comida de outra pessoa ou furtar uma loja para satisfazer a compulsão por comer.
  • As compulsões podem começar como uma refeição planejada, mas ao restringir o que se come, descobre-se que a refeição normal não satisfaz, por isso não consegue parar de comer.
  • Depois a pessoa se sente empanturrada, inchada e provavelmente culpada e deprimida. Ela tenta se livrar da comida que comeu ao provocar vômitos ou usando laxantes. É muito desconfortável e cansativo, mas ela fica presa a uma rotina de compulsão alimentar, vômito e/ou purgação.

Transtorno de compulsão alimentar

Se a pessoa sofrer desse distúrbio, ela fará dieta e comerá compulsivamente, mas não vomitará. 

É muito penoso e pode ganhar muito peso.

As terapias psicológicas podem ajudar e o médico da família pode encaminhar a pessoa a um serviço IAPT (Melhoria do Acesso às Terapias Psicológicas).

Para saber mais sobre o tratamento desse distúrbio, acesse o site do NHS Choices.

Como a anorexia e a bulimia podem afetar a pessoa?

Se não estiver ingerindo calorias suficientes, a pessoa pode:

Sintomas psicológicos

  • Dormir mal.
  • Achar difícil concentrar-se ou pensar claramente sobre outra coisa que não seja comida ou calorias.
  • Sentir-se deprimido.
  • Perder o interesse por outras pessoas.
  • Tornar-se obsessivo com comida e alimentação (às vezes com outras coisas, como lavar, limpar ou arrumar).

Sintomas físicos

  • Achar que está mais difícil comer porque o estômago encolheu.
  • Sentir-se cansado, fraco e com frio à medida que o metabolismo do corpo desacelera.
  • Ficar constipado.
  • Observar mudanças no cabelo e na pele. Os cabelos de algumas pessoas caem, mas crescem cabelos felpudos em outras partes do corpo. A pele fica seca e podem surgir úlceras de pressão.
  • Não crescer até a altura total ou perder altura com uma aparência “curvada”.
  • Ficar com ossos quebradiços, fracos.
  • Não conseguir engravidar.
  • Danificar o fígado, especialmente se beber álcool.
  • Em casos extremos, a pessoa pode morrer. A Anorexia Nervosa tem a maior taxa de mortalidade de todos os distúrbios psicológicos.

Se vomitar, a pessoa pode:

  • perder o esmalte dos dentes (se dissolve pelo ácido estomacal no vômito)
  • ficar com o rosto inchado (as glândulas salivares nas bochechas incham)
  • ter arritmia, palpitações (o vômito prejudica o equilíbrio dos sais no sangue)
  • sentir fraqueza
  • sentir cansaço o tempo todo
  • vivenciar grandes oscilações de peso (veja abaixo)
  • prejudicar os rins
  • ter ataques epilépticos
  • não conseguir engravidar.

Se a pessoa usar muitos laxantes, ela pode:

  • ter dor de estômago persistente
  • ficar com os dedos inchados
  • descobrir que não consegue mais ir ao banheiro sem usar laxantes (usar laxantes o tempo todo pode danificar os músculos do intestino)
  • ter grandes oscilações de peso. Ela perde muito líquido ao evacuar, mas absorve tudo novamente quando bebe água depois (os laxantes não eliminam nenhuma caloria).

O que causa os transtornos alimentares?

A resposta não é simples, mas todas as ideias abaixo foram mencionadas como explicações:

  • Genética: Há muitas evidências de que os transtornos alimentares ocorrem em famílias, mesmo quando quem sofre transtornos não viva necessariamente junto da família, e que certos genes tornam as pessoas mais vulneráveis, não apenas aos transtornos alimentares, mas a condições relacionadas.
  • Falta de um botão “desligar”: A maioria de nós só consegue fazer dieta até certo ponto antes que nosso corpo nos diga que é hora de começar a comer novamente. Algumas pessoas com anorexia não têm esse “botão” corporal e podem manter o peso corporal perigosamente baixo por muito tempo.
  • Controle: Pode ser muito gratificante fazer dieta. A maioria de nós conhece a sensação de realização quando a balança nos diz que perdemos alguns quilos. É bom sentir que podemos nos controlar de forma clara e visível. Pode ser que o peso seja a única parte da nossa vida sobre a qual sentimos que temos algum controle.
  • Puberdade: A anorexia pode reverter algumas das mudanças físicas de se tornar adulto: pelos pubianos e faciais nos homens, seios e períodos menstruais nas mulheres. Isto pode adiar as mudanças no processo natural de amadurecimento, especialmente as sexuais.
  • Pressão social: Nosso ambiente social influencia poderosamente nosso comportamento. Sociedades que não valorizam a magreza têm menos transtornos alimentares. Locais onde a magreza é valorizada, como escolas de balé, apresentam mais transtornos alimentares. "Magreza é lindo" na cultura ocidental. A televisão, os jornais e as revistas mostram imagens de pessoas idealizadas e artificialmente magras. Para quem tem uma imagem corporal negativa, as academias de ginástica também podem reforçar essa percepção. Por isso, em algum momento, a maioria de nós tenta fazer dieta. Alguns conseguem fazer dietas rígidas, mas para uma pessoa que está em risco de desenvolver um transtorno alimentar, isso pode tornar a dieta perigosa e desenvolver anorexia.
  • Família: Comer é uma parte importante de nossas vidas com outras pessoas. Aceitar comida dá prazer e recusá-la muitas vezes incomodará alguém. Isto é particularmente verdadeiro dentro das famílias.  Dizer “não” à comida pode ser a única maneira pela qual você sente que pode expressar seus sentimentos, ou ter algo a dizer nos assuntos familiares.  É essencial a comunicação aberta e honesta entre o cuidador e a pessoa que sofre transtorno alimentar. Também é importante não ser muito crítico. Por outro lado, famílias amorosas muitas vezes tentam protegê-lo das consequências de um transtorno alimentar, e isso pode significar que o transtorno alimentar pode durar mais tempo.
  • Depressão: A maioria de nós comeu para se confortar quando estavam chateados, ou até mesmo entediados. Pessoas com bulimia costumam ficar deprimidas, e pode ser que as compulsões comecem como uma forma de lidar com sentimentos de infelicidade. Infelizmente, vomitar e usar laxantes podem fazer com que você se sinta tão mal quanto antes.
  • Baixa auto-estima: Pessoas com anorexia e bulimia muitas vezes não pensam muito em si mesmas e se comparam desfavoravelmente com outras pessoas. Perder peso pode ser uma maneira de tentar obter um senso de respeito e autoestima.
  • Sofrimento emocional: Todos reagimos de forma diferente quando coisas ruins acontecem ou quando nossas vidas mudam. Anorexia e bulimia têm sido relacionadas a:
    • dificuldades na vida
    • abuso sexual
    • doença física
    • eventos perturbadores - uma morte ou o rompimento de um relacionamento
    • eventos importantes - casamento ou saída de casa.
  • O círculo vicioso : Um transtorno alimentar pode continuar mesmo quando o estresse original ou a razão para ele já passou. Uma vez que seu estômago encolheu, pode ser desconfortável e assustador comer.
  • Causas físicas: Alguns médicos acham que pode haver uma causa física que ainda não compreendemos.
  • Certas doenças e tratamentos: Há uma incidência relativamente elevada de anorexia em pessoas que sofrem de diabetes, fibrose cística, ou outras doenças em que a dieta deve ser monitorada e que, sem tratamento adequado, o peso é perdido. Pode ser tentador negligenciar a sua saúde para perder algum peso, e isto é particularmente perigoso.

Homens, pessoas com necessidades especiais, e crianças mais novas

É diferente para os homens?

  • Os transtornos alimentares parecem ter se tornado mais comuns em meninos e homens.
  • Os transtornos alimentares são mais comuns em profissões que exigem baixo peso corporal (ou baixa gordura corporal). Estas incluem equitação, musculação, luta livre, boxe, dança, natação, atletismo, e remo.
  • Pode ser que os homens agora estejam procurando ajuda para transtornos alimentares, em vez de ficarem calados sobre eles.

Pessoas com necessidades especiais e crianças mais novas

Uma dificuldade de aprendizagem, autismo, ou alguns outros problemas de desenvolvimento podem atrapalhar a alimentação. Por exemplo, algumas pessoas com autismo podem não gostar da cor ou textura dos alimentos e se recusar a comê-los.

Os problemas alimentares das crianças pré-adolescentes têm mais a ver com a textura dos alimentos, com a "exigência alimentar", ou com o fato de ficarem zangados do que com o desejo de serem muito magros. As formas de ajudar com estes problemas são bastante diferentes daquelas para a anorexia e a bulimia.

Eu tenho um problema?

O questionário 'SCOFF' usado pelos médicos pergunta:

  • você fica Doente porque está desconfortavelmente cheio?
  • você se preocupa por ter perdido o Controle sobre o quanto você come?
  • você perdeu recentemente mais de 6 quilos (cerca de Uma pedra) em três meses?
  • você acredita que é Gordo quando os outros dizem que você é magro?
  • você diria que a Comida domina sua vida?

Se você responder "sim" a duas ou mais destas perguntas, você pode ter um transtorno alimentar.

Como posso me ajudar?

Às vezes, a bulimia pode ser abordada usando um manual de autoajuda com alguma orientação de um terapeuta.

A anorexia geralmente precisa de ajuda mais organizada de uma clínica ou terapeuta. Ainda vale a pena obter o máximo de informações possível sobre as opções, para que você possa fazer as melhores escolhas para si mesmo.

O que fazer:

  • Atenha-se aos horários regulares das refeições – café da manhã, almoço e jantar. Se o seu peso for muito baixo, faça lanches de manhã, à tarde, e à noite também.
  • Tente pensar em um pequeno passo que você poderia dar em direção a uma maneira mais saudável de comer. Se você não consegue tomar café da manhã, tente sentar-se à mesa por alguns minutos na hora do café da manhã e apenas beber um copo de água. Quando você se acostumar a fazer isto, coma apenas um pouco, até meia fatia de torrada – mas faça isso todos os dias.
  • Mantenha um diário do que você come, quando come, e quais foram seus pensamentos e sentimentos todos os dias. Você pode usar isto para ver se há conexões entre como você se sente, o que você está pensando, e como você come.
  • Tente ser aberto sobre o que você está ou não comendo, tanto consigo mesmo quanto com outras pessoas. O sigilo é um dos aspectos mais isoladores de um transtorno alimentar.
  • Lembre-se de que você nem sempre precisa alcançar coisas – deixe-se levar às vezes.
  • Lembre-se de que, se você perder mais peso, se sentirá mais ansioso e deprimido a médio prazo, embora possa se sentir melhor a curto prazo.
  • Faça duas listas – uma do que o seu transtorno alimentar lhe deu, e uma do que você perdeu com ele. Um livro de autoajuda pode ajudá-lo com isto.
  • Tente ser gentil com seu corpo, não o castigue.
  • Certifique-se de saber qual é o peso razoável para você e que você compreenda o porquê.
  • Leia histórias de experiências de recuperação de outras pessoas. Você pode encontrá-las em livros de autoajuda ou na internet.
  • Pense em se juntar a um grupo de autoajuda, como o B-eat. Seu médico também pode recomendar um.
  • Evite sites ou redes sociais que incentivem você a perder peso e permanecer com um peso corporal muito baixo. Eles encorajam você a prejudicar sua saúde, mas não farão nada para ajudar quando você adoecer.

O que não fazer:

  • Não se pese mais do de uma vez por semana.
  • Não perca tempo verificando seu corpo e se olhando no espelho. Ninguém é perfeito. Quanto mais você olha para si mesmo, maior a probabilidade de encontrar algo que não gosta. A verificação constante pode deixar a pessoa mais atraente infeliz com a sua aparência.
  • Não se isole da família e dos amigos. Você pode querer porque eles acham que você está muito magro, mas eles podem ser uma tábua de salvação.

E se eu não procurar ajuda ou mudar meus hábitos alimentares?

A maioria das pessoas com um transtorno alimentar grave acabará recebendo algum tipo de tratamento, por isso não está claro o que acontecerá se nada for feito.

No entanto, parece que a maioria dos transtornos alimentares graves não melhora por conta própria.

Algumas pessoas que sofrem de anorexia morrerão.

Praticar exercícios com baixo peso é perigoso, principalmente se você se exercita ao ar livre em climas frios.

Obter ajuda profissional para a anorexia

O seu médico de família pode encaminhá-lo para um orientador especialista, psiquiatra, ou psicólogo.

Você pode escolher um terapeuta particular, um grupo de autoajuda, ou uma clínica, mas ainda é mais seguro informar o seu médico de família sobre o que está acontecendo.

É aconselhável fazer um bom exame de saúde física. Seu transtorno alimentar pode ter causado problemas físicos. Menos comumente, você pode ter uma condição médica não reconhecida.

Os tratamentos mais úteis para você provavelmente dependerão de seus sintomas específicos, da sua idade, e da sua situação.

Primeiros passos após ser encaminhado com caso de anorexia

  • Um psiquiatra ou psicólogo primeiro vai querer conversar com você, para descobrir quando o problema começou e como ele se desenvolveu. Você será pesado e, dependendo de quanto peso você perdeu, poderá precisar de um exame físico e exames de sangue. Com a sua permissão, o psiquiatra provavelmente desejará conversar com a sua família (e talvez com um amigo) para ver que luz eles podem lançar sobre o problema. Se você não quiser que sua família se envolva, mesmo os pacientes muito jovens têm direito à confidencialidade. Às vezes, isto pode ser apropriado devido a abuso ou estresse na família.
  • Se você ainda mora em casa, seus pais podem ficar encarregados de verificar quais alimentos você está comendo, pelo menos no início. Isto envolve garantir que você tenha refeições regulares com o resto da família e que receba calorias suficientes. Você consultará um terapeuta regularmente, tanto para verificar seu peso, quanto para obter apoio.
  • Lidar com isto pode ser estressante para todos os envolvidos, então sua família pode precisar de apoio. Isto não significa necessariamente que toda a família tenha que comparecer às sessões de terapia (embora isto possa ser útil para os mais jovens). Isso significa que a sua família pode obter ajuda para compreender e lidar com o problema. No entanto, o envolvimento dos pais ao lado do doente e do psiquiatra pode, às vezes, ajudar na recuperação.
  • Você terá a oportunidade de discutir qualquer coisa que possa estar perturbando você - relacionamentos, estudo, trabalho, ou desafios com sua autoconfiança.
  • No início, você provavelmente não vai querer pensar em voltar a um peso normal, mas vai querer se sentir melhor - e, para se sentir melhor, precisará voltar a um peso saudável. Você precisará saber:
    • qual é o seu peso saudável?
    • quanta comida você precisa por dia para chegar lá?
    • como você pode ter certeza de não engordar?
    • como você pode ter certeza de que pode controlar sua alimentação?

Psicoterapia ou aconselhamento para anorexia

  • Isto envolve conversar com um terapeuta, talvez durante uma hora toda semana, sobre seus pensamentos e sentimentos. Pode ajudá-lo a compreender como o problema começou e como você pode mudar algumas maneiras de pensar e sentir sobre as coisas. Pode ser perturbador falar sobre algumas coisas, mas um bom terapeuta irá ajudá-lo a fazer isto de uma forma que o ajude a lidar melhor com suas dificuldades. Eles também ajudarão você a se valorizar mais e a reconstruir sua autoestima.
  • Versões especialmente focadas de Terapia Cognitivo Comportamental e Terapia Interpessoal são frequentemente oferecidas, uma vez que você esteja bem o suficiente para se beneficiar dos desafios da terapia, em vez de ficar mais estressado com isso. Se você faz terapia enquanto seu peso está baixo ou em queda, parece que o estresse pode piorar as coisas em vez de melhorar.
  • Às vezes, isso pode ser feito em um pequeno grupo de pessoas com problemas semelhantes.
  • Outros membros da sua família podem ser incluídos com a sua permissão.  A forma mais pesquisada de terapia familiar para anorexia é conhecida como “Modelo Maudsley”. Adultos que têm parceiros devem ser tratados como casal. Parentes e cuidadores devem também ser vistos separadamente para sessões para ajudá-los a entender o que aconteceu com você, como eles podem trabalhar junto com você e como eles podem lidar com a situação.
  • Um tratamento deste tipo pode durar meses ou anos.
  • O médico só aconselhará a admissão no hospital se alguns desses passos não funcionar ou se você estiver perigosamente abaixo do peso.

Tratamento no hospital

Isto também envolve controlar sua alimentação e falar sobre seus problemas, de uma maneira mais supervisionada e estrutura.

  • Exames de sangue serão feitos para checar ou se você está com anemia ou com risco de infecção.
  • Verificações regulares de peso para ter certeza de que você está ganhando peso lentamente.
  • Outras investigações físicas podem ser necessárias para monitorar qualquer dano ao coração, pulmões e ossos.

Conselhos e ajudas com alimentação e exercícios

  • Um nutricionista pode encontrar com você para discutir a saúde alimentar, quanto você come e como ter certeza de ter todos os nutrientes necessários para se manter saudável.
  • Você pode precisar de suplementos vitamínicos e minerais por um tempo, pois pode estar faltando nutrientes essenciais em seu corpo.
  • Você só pode voltar a um peso saudável comendo mais, e isso pode ser muito difícil no início. A equipe irá ajudá-lo a:
  • Estabelecer metas razoáveis para ganhar peso
  • Comer regularmente
  • Lidar com ansiedade que você sente
  • O seu médico de família poderá encaminhá-lo para um fisiologista do exercício devidamente qualificado para aconselhá-lo na quantidade, tipo e intensidade de exercício que será bom para você.

Medicação para anorexia

Às vezes, os médicos prescrevem medicamentos para ajudar a reduzir a ansiedade que você sente ao enfrentar a doença e, em particular, a reduzir as “ruminações” descritas pelos pacientes.

A maior parte da experiência tem sido com o medicamento Olanzapine, pois é mais seguro em jovens e em pessoas com baixo peso. Pode ser mais eficaz que o diazepam e medicamentos similares e tem menos probabilidade de causar dependência.

Ganhar peso não é a mesma coisa que recuperação, mas você não pode se recuperar sem ganhar peso. As pessoas que passam muita fome geralmente têm dificuldade em se concentrar ou pensar com clareza, principalmente sobre seus sentimentos.

Tratamento compulsório para anorexia

Isto é incomum. É somente feito se alguém está tão mal, que ele ou ela:

  • não podem tomar decisões adequadas por si mesmo
  • devem ser protegidos de danos graves.

Na anorexia, isto pode acontecer se seu peso é tão baixo que sua saúde (ou vida) está em risco e seu pensamento foi gravemente afetado pela perda de peso.

Quão efetivo é o tratamento para anorexia?

  • Mais da metade dos pacientes se recuperam, embora, eles fiquem doentes, em média, por 6 a 7 anos.
  • A recuperação completa pode acontecer mesmo após 20 anos de anorexia severa.
  • Estudos prévios sobre pessoas severamente doentes admitidas no hospital sugeriram que de uma a cinco delas poderiam morrer. Com cuidados médicos em dia, o índice de mortalidade é mais baixo se a pessoa mantiver contato com atendimento médico.
  • Desde que o coração e outros órgãos não tenham sido danificados, a maioria das complicações da fome parece melhorar devagar uma vez que a pessoa coma o suficiente.

Obtendo ajuda profissional para bulimia

O seu médico de família pode encaminhá-lo para um orientador especialista, psiquiatra, ou psicólogo.

Você pode escolher um terapeuta particular, um grupo de autoajuda, ou uma clínica, mas ainda é mais seguro informar o seu médico de família sobre o que está acontecendo.

É aconselhável fazer um bom exame de saúde física. Seu transtorno alimentar pode ter causado problemas físicos. Menos comumente, você pode ter uma condição médica não reconhecida.

Os tratamentos mais indicados para você, provavelmente, dependem de seus sintomas particulares, sua idade ou situação.

Psicoterapia para bulimia

Dois tipos de psicoterapia foram identificados como efetivos para a Bulimia Nervosa. Ambos foram feitos em sessões semanais, com em torno de mais de 20 semanas.

Terapia Cognitiva Comportamental (TCC)

Esta é geralmente feita com um terapeuta individual, com um livro de autoajuda, sessões em grupo ou com um CD (compact disk).

TCC ajuda a olhar para os seus pensamentos e sentimentos em detalhes. Pode ser necessário manter um diário de seus hábitos alimentares para ajudar a descobrir o que desencadeia suas compulsões.

Depois pode-se trabalhar melhores maneiras de pensar sobre isso, e lidar com essas situações e sentimentos. Assim, com o tratamento da anorexia, o terapeuta lhe ajudará a ganhar novamente seu senso de próprio valor como pessoa.

Terapia Interpessoal (TIP)

Esta é geralmente feita com um terapeuta individual, mas concentra-se mais nos relacionamentos com outras pessoas. Talvez tenha perdido um amigo, uma pessoa amada pode ter morrido ou pode estar passando por uma grande mudança na vida, como mudar de casa. Isso ajudará a reconstruir relacionamentos de apoio que podem atender suas necessidades emocionais, para além da necessidade de comer.

Conselhos sobre alimentação para ajudar com a bulimia

Podem ajudar a retomar sua alimentação normal, de forma que você possa manter o peso sem passar fome ou vomitar. Um nutricionista pode aconselhar na sua alimentação saudável.

Um guia como “Getting Better BITE by BITE” (veja referências) pode ser útil.

Medicação para bulimia

Mesmo se não estiver depressivo, doses altas de antidepressivos como Fluoxetine (Prozac) podem reduzir essa compulsão alimentar.

Isso pode reduzir o sintoma em de 2 a 3 semanas e ser o pontapé inicial para a psicoterapia. Infelizmente, sem outras formas de ajuda, os benefícios desaparecem depois de um tempo.

Quão efetivo é o tratamento para bulimia?

  • Cerca de metade dos pacientes se recupera, reduzindo sua compulsão alimentar e a purgação em pelo menos metade. Não é uma cura completa, mas o dará um certo controle na sua vida, com menos interferência do problema alimentar.
  • O resultado é pior se você tiver também problemas com drogas, álcool, e prejudicando a si mesmo.
  • TCC e TIP funcionam com a mesma eficácia ao longo de um ano, embora TCC parece começar a funcionar um pouco mais cedo.
  • Há algumas evidências de que uma combinação de medicação e psicoterapia é mais eficaz do que qualquer tratamento isolado.
  • A recuperação geralmente ocorre lentamente ao longo de meses ou alguns anos.

Mais informações

Aconselhamento online

B-eat (anteriormente Associação de Transtornos Alimentares): Linha de apoio para adultos: 0845 634 1414; linha de apoio para jovens (menos de 25 anos): 0845 634 7650. B-eat é a principal instituição de caridade no Reino Unido que apoia qualquer pessoa afetada por transtornos alimentares ou problemas com comida, incluindo os familiares e amigos.

Bodywhys - Associação de Transtorno Alimentar da Irlanda - Associação de Transtorno Alimentar da Irlanda: Linha de apoio: 1890 200 444. Email: info@bodywhys.ie

DWED (site de Diabéticos com transtorno alimentar)

Esperança no transtorno alimentar: Site americano oferecendo informação, opções de tratamento para transtorno alimentar, ferramentas de recuperação e recursos para aqueles que sofrem de transtorno alimentar, seus prestadores de tratamento e entes queridos.

Healthtalk.org: tem uma sessão com foco nos jovens com transtorno alimentar.

Saúde Mental da Irlanda 
Email: information@mentalhealthireland.ie. Prestadores ajudam aqueles que estão doentes mentalmente e promovem saúde mental positiva.

NHS 111: Ligue 111 quando precisar de ajuda médica rápida, mas não é emergência 999. Disponível 24 horas por dia, 365 dias por ano, ligações gratuitas para telefones fixos e celulares.

Recursos online TCC

Leitura adicional

Breaking free from anorexia nervosa: a survival guide for families, friends and sufferers by Janet Treasure (Psychology Press).

Anorexia nervosa and bulimia: how to help by M. Duker & R. Slade (Open University Press).

Eating Disorders: A parents' guide by Rachel Bryant-Waugh and Brian Lask (Penguin Books).

Skills-based learning for caring for a loved one with an Eating Disorder: The New Maudsley Method. Janet Treasure, Grainne Smith and Anna Crane.

Bulimia Nervosa and Binge eating: A guide to recovery by P. J. Cooper and Christopher Fairbairn (Constable and Robinson).

Overcoming binge eating by Christopher Fairburn (Guildford Press).

Getting better BITE by BITE: A survival kit for sufferers of bulimia nervosa and binge eating disorders by Janet Treasure and Ulrike Schmidt (Hove Psychology Press).

Anorexia Nervosa and Related Eating Disorders (ANRED).

Dicas de autoajuda

Referências e créditos

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Publicado: Nov 2019

Revisão prevista: Nov 2022

© Royal College of Psychiatrists

This translation was produced by CLEAR Global (Feb 2024)

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